Pontos-chave
Lançamento e proposta do Friend 2.0
Friend 2.0 foi lançado com alto-falante e personalidade para combater a solidão.Preocupações regulatórias
FTC dos EUA investiga empresa que criam chatbots como companheiros, por riscos a menores.Polêmicas e mercado
O produto enfrenta críticas sociais e concorrente similar faliu, apesar de preço alto.O colar de inteligência artificial que promete combater a solidão ficou bem mais caro. Dois anos depois do lançamento, a Friend volta ao mercado com voz própria, mas o preço mais que dobrou: saltou de US$ 99 para US$ 249.
O que muda no Friend 2.0
Em 2024, o fundador Avi Schiffmann lançou a Friend, um colar equipado com IA que conversa com quem o usa e manda mensagens de texto contando como foi o dia da pessoa. A proposta era usar inteligência artificial para enfrentar a solidão.
Nesta semana, a empresa anunciou uma reformulação do produto. Schiffmann anunciou no X que a Friend 2.0 chega com um alto-falante embutido, capaz de projetar uma personalidade própria e constante para quem usa o colar.
Os comerciais mostram a IA dando conselhos pessoais
Um novo comercial do produto mostra uma mulher usando a Friend enquanto comenta sobre a ex-namorada. O colar responde de forma acolhedora, dizendo que não há nada de errado em ser gay.
Em outra cena do mesmo vídeo, um homem fala sobre suas ambições no cinema em cima de uma colina, e a Friend elogia o último filme que ele fez.
“Confidente, amigo, um deus”? Nem o criador sabe dizer
Fora a voz nova, ainda não está muito claro para que serve a Friend além de bater papo sobre o seu dia. Em outro post no X, Schiffmann tentou explicar o que o produto realmente é.
“Confidente, amigo, um deus, não sei muito bem o que é”, disse o fundador, fazendo questão de reforçar que a Friend não é uma assistente nem um par romântico.
A ideia de uma IA de bolso que se posiciona quase como uma entidade espiritual não é exclusividade da Friend. Já mostramos por aqui como algumas pessoas estão tratando o ChatGPT como se fosse um deus.
Reguladores dos EUA já de olho nesse tipo de produto
A camada de “amigo artificial” que a Friend vende é justamente o tipo de promessa que colocou sete empresas de tecnologia sob investigação da Federal Trade Commission (FTC) dos Estados Unidos.
Em setembro de 2025, a FTC abriu um inquérito oficial contra Alphabet, Character.AI, Meta, OpenAI, Snap e xAI para entender os riscos de chatbots que funcionam como companhia. Segundo a agência, esses sistemas são projetados para “se comunicar como um amigo ou confidente”, o que pode levar crianças e adolescentes a confiar e formar vínculos com eles.
A Friend não está entre as empresas notificadas pela FTC até agora, mas vende exatamente esse tipo de relação, o que mostra como a fronteira entre companhia digital e vínculo afetivo virou pauta de regulador. A preocupação também aparece perto de casa: adolescentes têm trocado pessoas por inteligência artificial na hora de buscar companhia, e crianças solitárias também recorrem a chatbots de IA como válvula de escape.
Um histórico de polêmica e um concorrente que já quebrou
Não é a primeira vez que a Friend gera desconforto. No ano passado, os cartazes da marca no metrô de Nova York viralizaram depois de serem repetidamente vandalizados, aparentemente por pessoas incomodadas com a ideia de trocar conexão humana por um colar digital.
O produto mais parecido com a Friend, o Humane AI Pin, tentou substituir o iPhone e não deu certo. A empresa encerrou as operações em menos de um ano depois de vendas fracas, e a HP comprou os ativos da startup.
Com o novo preço de US$ 249, a Friend aposta que a voz vai justificar um valor que os próprios usuários ainda não sabem dizer para que serve.
