Pontos-chave
Funcionalidades reais da nova Siri
A nova Siri realiza conversas naturais, entende contexto pessoal e ajuda a acessar informações no iPhone.Parceria Apple e Google AI
A Apple usa tecnologia Gemini para desenvolver seus próprios modelos e entregar uma assistente eficiente.Consequências do atraso
O atraso da Apple gerou ação coletiva e pagamento de US$ 250 milhões por promessas não cumpridas.Depois de anos de atraso, a Siri com inteligência artificial chegou na versão beta pública do iOS 27. A assistente agora faz o que a Apple prometeu: entende o contexto pessoal do usuário, busca conhecimento amplo para responder perguntas e localiza informações guardadas no iPhone.
Mesmo assim, a chegada parece um anticlímax. A Apple finalmente tem uma assistente de IA funcional, e até impressionante, mas ela chegou depois do momento em que esse tipo de lançamento ainda soava novidade.
O que a nova Siri faz de verdade
Agora dá para ter conversas naturais, de ida e volta, com a Siri. Há até configurações para ajustar a expressividade e o ritmo das respostas em voz. Também é possível digitar para a assistente, ou usá-la por um aplicativo dedicado pela primeira vez, referenciando conversas passadas.
A assistente entende o contexto pessoal do usuário e ajuda a achar fotos, e-mails, contatos, mensagens ou compromissos, mesmo quando a pessoa não sabe exatamente o que procura. Dá para pedir o último recibo salvo no aparelho sem dizer onde ele está guardado, por exemplo.
Ela também responde sobre coisas salvas só como foto, como o número da carteira de motorista, ou um QR code capturado como lembrete. É possível abrir sites e usar aplicativos por comando de voz: pedir rotas, tocar música, editar uma foto, redigir um e-mail e tocar audiobooks.
A Siri agora toca com consistência a música, o podcast ou o audiobook pedido no aplicativo certo, algo simples que antes falhava direto. Ela também ajuda a bater ideias, aprender sobre um assunto novo ou sugerir uma receita com os ingredientes que sobraram na geladeira.
Outros usos incluem perguntar quando toca a banda favorita, usar a câmera para identificar objetos do mundo real, e ajudar a dividir a conta de um restaurante com amigos. É uso de IA no bolso que sempre prometeram.
O motor por trás é do Google
As melhorias saíram do papel graças à parceria da Apple com o Gemini AI do Google. A Apple não colou a própria marca em cima da tecnologia do Google: usou-a para treinar e refinar seus próprios Apple Foundation Models, feitos para rodar no silício da própria empresa e na infraestrutura de nuvem privada dela.
O resultado é uma Siri que efetivamente funciona, algo que muita gente já tinha comparado ao Gemini em tarefas do dia a dia antes mesmo dessa parceria virar pública.
O preço de anos de atraso
A demora custou caro. Em maio, a Apple concordou em pagar US$ 250 milhões para encerrar uma ação coletiva sobre como divulgou os recursos de IA antes do lançamento do iPhone 16. O processo alegava que a empresa exagerou o alcance dos recursos prometidos, criando a impressão de que estariam disponíveis antes do que realmente ficaram.
Pelo acordo proposto, clientes elegíveis nos Estados Unidos que compraram iPhone 15 ou iPhone 16 entre 10 de junho de 2024 e 29 de março de 2025 podem receber até US$ 95 por aparelho. A Apple não admitiu culpa, mas preferiu fechar acordo a seguir com o processo.
Por que a sensação é de anticlímax
Nos anos em que a Apple enrolou com a IA, a corrida seguiu adiante sem ela. Hoje, ferramentas de IA escrevem e constroem software, agentes completam tarefas de várias etapas sozinhos, e a IA trabalha junto com o usuário, raciocinando, lembrando e criando conteúdo. Ser só um chatbot ou assistente funcional já não é mais o avanço que seria antes.
Isso não quer dizer que a nova Siri não tenha valor. A Apple cumpriu o que prometeu, e entregou um pouco mais. Mas parece que a empresa consertou um bug antigo, e não que fez algo revolucionário. É basicamente como a Siri deveria ter funcionado desde sempre, entre tantos modelos de IA mais avançados que já existem no mercado.
Quando chega para todo mundo
Quem não roda builds beta só vai ganhar acesso à nova Siri quando a Apple lançar oficialmente o iOS 27, esperado para setembro.
