Pontos-chave
Botão para denunciar conteúdo de IA
Usuários podem sinalizar posts que parecem escritos por inteligência artificial de baixa qualidade.Avisos privados para exagero no uso de IA
Usuários receberão mensagens privadas se o conteúdo parecer artificial demais, para incentivar autenticidade.Medidas mais amplas contra automação e spam
LinkedIn bloqueia milhares de tentativas automatizadas e ajusta ferramentas para combater conteúdo inautêntico.O LinkedIn ganhou um botão para apontar quando um post parece ter sido escrito por um robô. A rede social anunciou nesta semana a opção “Seems like AI slop” (algo como “parece lixo de IA”), que qualquer usuário pode clicar quando desconfiar que um texto foi produzido por inteligência artificial de baixa qualidade.
A novidade é parte de um pacote maior de medidas contra o excesso de conteúdo automatizado no feed. A empresa também está trocando sua própria ferramenta de escrita com IA por um recurso de revisão de texto, e vai usar os cliques no novo botão para treinar os sistemas que identificam esse tipo de post.
Como o botão funciona na prática
A opção fica direto na base de cada publicação. Ao clicar, o usuário ajuda o LinkedIn a treinar classificadores que tentam separar post genuíno de conteúdo automatizado e de baixa qualidade. Quem já desconfia de um texto sem saber exatamente o que olhar pode entender melhor como diferenciar um texto escrito por IA antes de denunciar.

Segundo o LinkedIn, esses classificadores vão reduzir a quantidade de slop que aparece nas recomendações de conteúdo vindas de fora da sua rede de contatos. A empresa também reforçou suas defesas contra automação: hoje já bloqueia centenas de milhares de tentativas de comentário automatizado por dia, e milhões de outras tentativas de automação só nos últimos meses.
Quem exagera na IA vai ser avisado em privado
O diretor de produto do LinkedIn, Hari Srinivasan, tratou o tema como prioridade. Em post na própria rede, ele disse que “AI slop is a top priority for all of us” (algo como “lixo de IA é prioridade para todos nós”), e explicou que as pessoas vão ao LinkedIn para se conectar com gente de verdade.
Por isso, o LinkedIn também vai passar a avisar em privado, direto no painel do usuário, quando um post parecer artificial demais aos olhos de quem lê. A ideia não é punir, e sim ajudar quem só está usando IA para revisar o próprio texto a escrever de um jeito mais autêntico, algo que já é motivo de desconfiança do público quando fica óbvio demais.
Nessa linha, o LinkedIn está tirando do ar o recurso “aprimore seu post”, que usava IA para reescrever o texto do usuário. No lugar, entra uma ferramenta de revisão gramatical, que corrige erros sem mudar a voz de quem escreveu.
Outras mudanças anunciadas: mais acesso às ferramentas de verificação de perfil e de página, e uma opção para bloquear comentários de páginas de empresas que o usuário não quer mais ver no feed.
Parte de uma corrida maior contra o spam de IA
O movimento do LinkedIn acompanha uma tendência mais ampla entre plataformas online. Na semana passada, o Substack lançou uma ferramenta que ajuda o leitor a identificar quando um texto do site foi escrito por IA, em parceria com a empresa de detecção Pangram. A própria Pangram anunciou 9 milhões de dólares em nova rodada de investimento nesta semana, para lidar com o volume de conteúdo de IA que inunda a internet.
O problema também já derrubou produto: o Digg encerrou em março o concorrente do Reddit que a empresa tinha lançado, alegando que não conseguia dar conta da quantidade de bots tomando conta do site. E o cenário tende a piorar: segundo a Cloudflare, já existe mais tráfego de bot do que de gente de verdade na web.
Casos como o de uma empresa que usou o nome de um jornalista demitido para assinar textos gerados por IA mostram por que redes sociais e sites de notícia estão correndo atrás desse tipo de controle. Para o LinkedIn, que vive de conexão profissional entre pessoas reais, o problema toca direto na razão de existir da plataforma.