Pontos-chave
Uso indevido do nome de Ben Touati após demissão
A ClickOut Media continuou publicando textos assinados por Ben Touati, que não os escreveu, depois de sua demissão em março de 2026.Prática prévia de uso de IA e personagens fictícios
A ClickOut Media já havia publicado textos com IA assinados por jornalistas fictícios, mostrando uma tendência de mascarar a origem dos conteúdos.Reação legal baseada no GDPR e remoção da assinatura
Ben Touati usou o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) para exigir a exclusão de seu nome dos textos, o que foi atendido pela empresa.Ben Touati foi demitido da ClickOut Media em março de 2026. Dias depois, novos textos continuaram saindo no site com o nome dele na assinatura, só que ele não tinha escrito nenhum.
A empresa manteve o nome dele em textos feitos com ajuda de IA, mesmo depois de ele não trabalhar mais lá.
Cinco textos, um nome que não era mais dele
Touati trabalhava como freelancer na operação alemã da ClickOut Media, dona de sites como Techopedia, iGaming e Esports Insider. Depois que saiu da empresa, viu cinco artigos novos publicados com sua assinatura, todos com cara de terem sido produzidos com IA e sem edição de verdade.
Ele descreveu a situação como um “tapa na cara” ao Press Gazette. Para ele, dava para notar de longe que não havia uma pessoa de verdade por trás daqueles textos.
Procurada, a ClickOut Media não explicou por que manteve o nome de um ex-funcionário em conteúdo que ele nunca escreveu. A empresa afirmou apenas que usa “conteúdo assistido por IA quando apropriado”, combinado com checagem humana, e que segue aprimorando seus agentes de inteligência artificial.
Uma prática que já vinha de antes
Esse não foi o primeiro tropeço público da ClickOut Media com inteligência artificial. Meses antes, o site Videogamer, também do grupo, publicou um artigo assinado por um suposto jornalista que nunca existiu de verdade: a empresa tinha criado esse personagem para dar credibilidade a conteúdo escrito com IA.
O caso de Touati mostra como empresas já foram flagradas se vendendo como IA quando na verdade havia gente por trás do processo, só que aqui o problema é o oposto: uma pessoa real teve o nome usado para dar rosto a um conteúdo que não é dela.
Touati começou a trabalhar para a empresa, então chamada Finixio, em janeiro de 2024. Ele contou que precisou resistir várias vezes à pressão para usar IA na produção dos textos, mesmo com gestores repetindo que ficava “quase impossível se virar sem IA hoje em dia”.
Demissão, GDPR e o nome de volta
No início de 2026, a empresa demitiu vários freelancers alegando falta de trabalho, já que a produtividade do time tinha “aumentado” com o uso de IA. Touati foi um dos dispensados, oficialmente porque o site Esports Insider havia sido desindexado pelo Google.
Só no fim de maio ele percebeu que o site continuava publicando sob seu nome. Para reverter isso, usou o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia (GDPR) e entrou com uma reclamação formal contra a ClickOut por uso indevido de seus dados pessoais.
A empresa acabou retirando a assinatura de Touati dos artigos. Hoje, os textos aparecem com o nome de outro autor.
O episódio se soma a uma lista crescente de casos em que a IA está sendo usada para substituir trabalho humano sem aviso claro para quem é afetado, do jornalismo a outras áreas onde profissionais já foram trocados por sistemas automatizados.
