Pontos-chave
Previsão de agentes pessoais de IA para 2031
Mark Zuckerberg prevê que bilhões de pessoas terão agentes de inteligência artificial pessoal trabalhando 24h por dia em cinco anos.Impacto energético e ambiental dos agentes de IA
O uso massivo de agentes de IA pode multiplicar significativamente o consumo de energia, com projeções de aumento do consumo global de eletricidade dos data centers e das emissões associadas até 2035.Desempenho financeiro da Meta e desafios atuais
Meta reportou queda de 91% no fluxo de caixa livre no último trimestre devido a investimentos elevados em infraestrutura de IA e perdas contínuas no setor de realidade aumentada.Mark Zuckerberg usou a call de resultados de quarta-feira para vender aos investidores uma previsão bem específica: daqui a cinco anos, bilhões de pessoas vão ter um agente de inteligência artificial pessoal trabalhando por elas 24 horas por dia. Horas depois, a ação da Meta caiu quase 10%.
O CEO disse considerar extremamente improvável que esse cenário não se concretize. Na descrição dele, o agente entende os objetivos de quem o usa e age sozinho para alcançá-los, no assunto que a pessoa quiser.
O que esse agente faria pela sua vida
Zuckerberg citou quatro frentes em que vê essas ferramentas entrando primeiro: finanças, saúde, relações pessoais e administração da casa. A diferença entre um chatbot e um agente de IA está justamente aí: um responde à pergunta e para, o outro executa a tarefa e volta com ela pronta.
Ele também apontou onde essa conversa deve acontecer: nos apps de mensagem. Num mundo em que cada pessoa interage com vários agentes ao mesmo tempo, disse o executivo, o WhatsApp e as outras superfícies de mensagem da empresa ficam cada vez mais importantes. Hoje o WhatsApp já é a plataforma onde mais gente conversa com a Meta AI, o mesmo assistente que parte dos usuários prefere desativar no aplicativo.
A Meta não está sozinha nessa aposta. O Google colocou agentes personalizados como novidade central da sua reformulação da Busca, e a Anthropic viu as assinaturas do Claude dispararem por causa do Claude Code, o assistente de programação que trabalha de forma autônoma.
A conta de energia que a previsão não menciona
Multiplicar agentes por bilhões de pessoas tem um custo físico. E ele é maior do que o de uma conversa comum com um chatbot.
Segundo o relatório Key Questions on Energy and AI, publicado em 2026 pela Agência Internacional de Energia (IEA), tarefas agênticas, junto com geração de vídeo e raciocínio complexo, podem consumir de centenas a milhares de vezes mais energia por consulta do que uma resposta simples de texto. No mesmo documento, a agência aponta que a eficiência por tarefa vem melhorando rápido, mas que os novos usos são justamente os mais pesados.
Os números de infraestrutura acompanham. O consumo global de eletricidade dos data centers cresceu 17% em 2025, e o dos data centers voltados a IA subiu 50% no mesmo período. A projeção da IEA é que o consumo total praticamente dobre, de 485 TWh em 2025 para 950 TWh em 2030, o equivalente a cerca de 3% de toda a eletricidade consumida no planeta. As emissões ligadas a esses centros também dobram nas contas da agência, chegando a algo perto de 350 milhões de toneladas em 2035. São números que puseram a IA no mesmo debate que já cercava o gasto de energia do Bitcoin.
O mercado ouviu outra coisa
Enquanto Zuckerberg falava de 2031, os investidores olhavam para o caixa de agora. A Meta reportou fluxo de caixa livre de US$ 784 milhões no trimestre, contra US$ 8,55 bilhões no mesmo período do ano passado. É uma queda de 91% em um ano, puxada pelos investimentos em infraestrutura de IA.
Some a isso o Reality Labs, divisão dos óculos de realidade aumentada e headsets de VR, que perdeu cerca de US$ 4,6 bilhões neste trimestre. O valor está na média dos prejuízos que a área acumula a cada trimestre desde 2021, o que já soma perto de US$ 88 bilhões.
E o gasto tende a subir. Nesta semana, Meta e BlackRock anunciaram uma parceria para construir um data center de US$ 14 bilhões em El Paso, no Texas.
A tese por trás do cheque
Zuckerberg tem uma explicação para tanto dinheiro na mesa. Ele acredita que a margem de vender inteligência é bem maior do que a de vender capacidade de processamento direto, ainda que veja oportunidade grande nos dois lados. Os agentes pessoais seriam, nas palavras dele, “a base da nossa próxima onda de produtos e linhas de receita”.
Parte disso já saiu do papel, mas do lado corporativo. Os agentes de negócios da empresa, liberados globalmente no WhatsApp e no Messenger neste trimestre, já foram adotados por mais de um milhão de empresas.
Falta a parte difícil: convencer o consumidor comum a entregar finanças, saúde e rotina para um software que age sozinho. A dúvida aparece até em tarefas pequenas, como deixar a IA fazer uma compra no seu lugar. O caminho até “bilhões” começa aí, e não nos contratos empresariais.
