IA chinesa: CTO da Mozilla trocou a Anthropic pelo Kimi K3

Raffi Krikorian, CTO da Mozilla, adotou o chinês Kimi K3 por ser mais rápido e econômico, refletindo a crescente migração de modelos americanos para chineses.
Ilustração de uma nota de dólar com lágrima e efeito de falha digital, ao lado do logotipo da Kimi AI, representando o avanço da inteligência artificial chinesa nos Estados Unidos por oferecer baixo custo e desempenho competitivo.

Pontos-chave

Adoção crescente de modelos chineses por profissionais e empresas

Profissionais e empresas americanas estão migrando para modelos chineses de IA devido a preço mais baixo e eficiência, exemplificado pelo CTO da Mozilla que trocou Anthropic pelo Kimi K3.

Diferença de preço e eficiência como fator decisivo

O custo por milhão de tokens é um fator chave para a migração, já que modelos chineses oferecem desempenho próximo ao dos americanos por uma fração do preço.

Controvérsia e limitações na competição EUA-China

Há acusações dos EUA contra a Moonshot por práticas questionadas na criação do Kimi K3, enquanto restrições de hardware e sanções aumentam a tensão entre os dois países.

Raffi Krikorian, diretor de tecnologia da Mozilla, a empresa por trás do Firefox, passou a usar o Kimi K3 em boa parte das suas tarefas do dia a dia poucos dias depois do lançamento do modelo. O Kimi é da startup chinesa Moonshot. O que ele usava antes era o Claude Fable, da Anthropic, mais caro.

O motivo que ele dá é quase banal: o modelo chinês pareceu mais rápido. Antes disso, Krikorian já rodava outro modelo chinês, o GLM-5.2 da Z.ai, para tarefas de rotina como agenda, documentos e e-mail.

Ele está longe de ser exceção. Reportagem da Associated Press publicada pela Fortune mostra um número crescente de profissionais e empresas americanas migrando para os modelos chineses, atraídos por preço e eficiência. A corretora de criptomoedas Coinbase disse que está fazendo a troca para cortar custos.

O que decide a migração é o preço por token

Curt Meinhold, executivo de tecnologia em Greensboro, na Carolina do Norte, e fundador da plataforma LilyList, conta que hoje prefere o DeepSeek para coisas como achar oportunidades de negócio e caminhos de venda.

O raciocínio dele é direto: a esmagadora maioria dos usuários não precisa dos modelos de topo da Anthropic, precisa de algo bom o bastante. Ele diz achar os modelos chineses bem próximos dos americanos em tarefas de código e pesquisa, e compara pagar alguns centavos por milhão de tokens de saída com pagar 30, 40 ou 50 dólares pela mesma coisa.

Essa conta ficou mais dura para os modelos fechados justamente agora. Segundo Alex Colville, do Australian Strategic Policy Institute, como o preço é cobrado por milhão de tokens de entrada e de saída, o uso de agentes de IA, que executam várias etapas sozinhos, multiplica a diferença de custo entre um modelo e outro.

Em relatório de julho, o Goldman Sachs escreveu que os modelos chineses chegaram a um estágio decisivo para adoção em larga escala, e apontou a explosão do uso de agentes como o principal motor dessa procura por modelos mais baratos. Vale comparar com o que a Anthropic pratica hoje no preço e no desempenho da linha Claude Opus 5.

Kimi K3 estourou e a Moonshot teve que fechar a torneira

Os números de adoção acompanham o discurso. No OpenRouter, plataforma que acompanha o uso de modelos, os cinco mais populares do último mês eram chineses.

A empresa de inteligência de mercado Sensor Tower estimou mais de 930 mil downloads do Kimi na semana seguinte ao lançamento do K3, alta de 200% sobre a semana anterior. Nos Estados Unidos, foram cerca de 86 mil downloads, um salto de 387%.

Deu tão certo que a Moonshot precisou suspender temporariamente novas assinaturas, porque a demanda empurrou a capacidade da empresa para perto do limite. Se quiser o contexto do lançamento, vale ler sobre o Kimi K3, o maior modelo de código aberto do mundo.

Washington acusa, Pequim chama de infundado

Na quarta-feira, o governo Trump acusou a Moonshot de usar métodos encobertos, embora não necessariamente ilegais, para construir o K3 em cima do Fable da Anthropic.

Parte dos políticos e das empresas americanas, incluindo a própria Anthropic, fala em destilação, a prática de extrair capacidades de um modelo pronto para treinar outro. Pequim rejeita a acusação e a classifica como sem fundamento.

O cerco já existe no hardware. Restrições lideradas pelos Estados Unidos barram o acesso chinês a chips de ponta, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, avisou que novas sanções podem vir para proteger propriedade intelectual americana.

O que ainda separa os dois lados

Mesmo virando concorrentes sérios, os modelos chineses seguem atrás dos líderes americanos quando se olha o conjunto completo de capacidades, afirma Angelopoulos. Yasir Atalan, do Center for Strategic and International Studies, nota que as empresas americanas também estão atrás de opções mais baratas dentro do próprio catálogo.

A China quer levar o avanço para fora. Em uma cúpula de tecnologia em Xangai, o presidente Xi Jinping defendeu modelos de código aberto e prometeu participação chinesa em elevar a capacidade de IA de países em desenvolvimento. Internamente, Huawei e Tencent já embutem IA em celulares, óculos e robôs humanoides.

Para Chelsey Tam, da casa de análise Morningstar, os dois países vão querer espalhar seus ecossistemas de IA e, ao mesmo tempo, proteger o que fortalece o rival. Angelopoulos acrescenta que a disputa deixou de ser só Estados Unidos contra China, porque os laboratórios chineses também se pressionam entre si.

A conta que ninguém fechou ainda

A sustentabilidade financeira dessas startups é dúvida aberta, como acontece do outro lado do Pacífico. A Z.ai reportou receita 132% maior no ano passado, 724 milhões de yuans, cerca de 107 milhões de dólares. No mesmo período, o prejuízo líquido cresceu 60% e chegou a 4,7 bilhões de yuans, algo como 694 milhões de dólares.

Para quem decide onde rodar carga séria de IA, o conselho de Krikorian é menos ideológico do que o debate em Washington: vale no mínimo avaliar os modelos chineses antes de descartar.

Perguntas e Respostas

Por que o CTO da Mozilla escolheu o Kimi K3 ao invés do Claude Fable?

Ele considerou o modelo chinês mais rápido e mais barato.

Qual a principal razão para a crescente adoção de modelos chineses?

A busca por preços mais baixos e eficiência nos custos.

Quais são as acusações feitas pelo governo dos EUA contra a Moonshot?

Uso de métodos encobertos para construir o K3 baseado no Claude.

Qual a situação financeira das startups chinesas de IA?

Receita crescente, mas prejuízos significativos continuam.
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