Pontos-chave
Anthropic destrói milhões de livros físicos para treinar IA
A Anthropic comprou milhões de livros, rasgou suas páginas para digitalizar e descartou os volumes físicos para treinar sua inteligência artificial.Decisão judicial protege prática de Anthropic
Um juiz dos EUA decidiu que a empresa está protegida pela doutrina da primeira venda ao comprar legalmente os livros, permitindo o uso para treinamento de IA.Críticas à abordagem destrutiva e alternativas existentes
Especialistas condenam a destruição dos livros físicos e indicam métodos de digitalização que preservam as obras, como os utilizados pelo Google Books e Internet Archive.Imagine abrir seu livro favorito e encontrar todas as páginas arrancadas, destruídas. E agora, se eu disser que essa cena não é ficção, mas aconteceu aos milhões?
Foi exatamente assim que a Anthropic, startup apoiada pelo Google, conseguiu treinar sua inteligência artificial Claude. Como revelou o Ars Technica, a empresa comprou milhões de livros físicos, cortou suas páginas para escanear e, em seguida, descartou tudo no lixo (fonte).
Mas, por mais surpreendente que pareça, há mais nesta história.
A prática foi confirmada em uma decisão judicial recente nos EUA, que acabou beneficiando legalmente a Anthropic (fonte). O juiz William Alsup entendeu que a empresa, ao adquirir legalmente esses livros, estava protegida pela doutrina da primeira venda, conceito que permite ao comprador fazer o que quiser com um produto adquirido, sem interferência do detentor dos direitos.
Quer saber qual o truque? Tom Turvey, ex-executivo da iniciativa Google Books, foi contratado especificamente para driblar problemas legais e garantir acesso rápido e barato às obras. A solução: destruir livros físicos para uma digitalização mais eficiente e econômica.
Parece um jogo arriscado, certo? Mas Anthropic não é a primeira e nem será a última. Meta já fez algo parecido, inclusive enfrentando processos judiciais por utilizar versões piratas de milhões de livros para treinar suas próprias IAs.
Especialistas criticam duramente essa abordagem destrutiva e preguiçosa, especialmente porque já existem métodos eficazes de digitalização em larga escala que preservam as obras originais. Google Books e Internet Archive, por exemplo, já demonstraram como preservar textos intactos enquanto produzem versões digitais robustas.
Mas, para as gigantes da IA, cortar custos e acelerar o processo continua sendo mais importante do que preservar conhecimento, ética e o respeito pelo trabalho dos autores.
Enquanto o mercado comemora decisões como essa, fica a reflexão: vale tudo em nome do avanço tecnológico? E até onde vamos permitir que as grandes empresas destruam o patrimônio cultural, literalmente, página por página?
