Pontos-chave
Uso de avatar gerado por IA em defesa legal
Jerome Dewald utilizou um avatar fictício criado por IA para apresentar argumentos em vídeo no tribunal.Reação da juíza à falta de transparência
A juíza Sallie Manzanet-Daniels expressou indignação por não ter sido informada que o advogado apresentado era uma inteligência artificial.Debate sobre limites da inteligência artificial no judiciário
O caso levantou discussões sobre a necessidade de transparência e respeito às regras ao usar IA no sistema judicial.A sessão já tinha começado quando a juíza interrompeu bruscamente o vídeo exibido no tribunal. A razão? O “advogado” que falava na tela nem sequer era real.
Foi assim que Jerome Dewald, um empreendedor de 74 anos, acabou no centro de uma polêmica em Nova York. Ele tentava apresentar um recurso em uma disputa trabalhista quando usou um avatar gerado por inteligência artificial para fazer sua defesa.
Dewald, fundador de uma startup que promete revolucionar a autodefesa legal com IA, enviou ao tribunal um vídeo com argumentos orais. A corte havia autorizado o envio do material, mas não foi informada de que o homem que aparecia no vídeo era totalmente fictício.
A confusão começou logo nos primeiros segundos da apresentação. A juíza Sallie Manzanet-Daniels estranhou o rosto desconhecido na gravação e questionou: “Esse é o advogado do caso?”. Dewald admitiu de forma direta: “Eu gerei isso. Não é uma pessoa real.”
A resposta gerou indignação imediata. “Você não me avisou disso na solicitação. Não gosto de ser enganada”, reagiu a juíza. “Este tribunal não será palco de lançamento para o seu negócio.”
Segundo Dewald, o uso do avatar foi uma tentativa de contornar dificuldades para falar por longos períodos. Ele escolheu um modelo padrão de uma empresa chamada Tavus, que cria vídeos personalizados com IA.
Mas o episódio levanta um debate cada vez mais urgente: até onde vai o uso de inteligência artificial no sistema judicial?
O recado do tribunal nova-iorquino foi claro: inovação sim, mas com transparência. E, principalmente, com respeito às regras da Justiça.
