Pontos-chave
Proposta de Altman para substituir conversas
Sugestão de usar ChatGPT Work para criar podcasts diários sobre as crianças durante trajetos escolares.Reação negativa e debate público
Resposta viral de Alex Hirsch destaca a importância de conversar diretamente com os filhos.Uso crescente de IA por crianças e famílias
Pesquisa mostra que 65% das crianças no Brasil já usam IA, evidenciando a penetração da tecnologia no cotidiano familiar.Um post do CEO da OpenAI sobre usar inteligência artificial no lugar de conversas com os filhos rendeu menos curtidas do que a resposta que discordou dele. Sam Altman sugeriu que pais usem o ChatGPT Work para criar um podcast diário sobre a rotina das crianças durante o trajeto até a escola.
A ideia não caiu bem.
O que Altman propôs
Na sexta-feira, Altman publicou no X o que chamou de “caso de uso legal”. A sugestão: usar o ChatGPT Work, o produto mais recente da OpenAI, para integrar a agenda da família e informar ao sistema o que cada criança gosta de fazer.
A partir daí, todo dia de manhã, no caminho para a escola, a ferramenta montaria um podcast comentando o jogo de futebol de um dos filhos naquela tarde, o aniversário que se aproxima de outro, mais alguma notícia do dia.
A resposta que viralizou mais que o post original
O criador da série animada “Gravity Falls”, Alex Hirsch, respondeu de forma direta: “E se você simplesmente conversasse com seus filhos?”
A pergunta pegou. Até sábado de manhã, o post de Altman somava cerca de 300 republicações e 9.600 curtidas. A resposta de Hirsch já tinha 9.000 republicações e 122.000 curtidas, um volume de engajamento bem maior que o da publicação original.
Isso conecta com um problema que já aparece entre adolescentes que trocam amizades reais por conversas com IA: a preocupação de que a tecnologia substitua, em vez de complementar, o contato humano.
Não é a primeira vez que um CEO de tecnologia promete isso
O comentário de Altman ecoa uma tendência que já apareceu em outros executivos. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, disse no ano passado que parou de ouvir seus podcasts favoritos no trajeto de carro. Em vez disso, passou a perguntar a uma IA sobre o conteúdo desses programas.
Altman também já tinha falado sobre o tema. Em uma entrevista ao programa de Jimmy Fallon, declarou: “Não consigo imaginar ter passado pela criação de um recém-nascido sem o ChatGPT.” Na sequência, reconheceu que gerações inteiras criaram filhos sem esse tipo de ajuda, sem problema algum.
Essas falas se somam a outras declarações recentes de Altman sobre como ele enxerga o papel da IA no dia a dia.
OpenAI mira nas famílias, mas enfrenta processos
Conquistar os pais parece ser uma prioridade para a OpenAI. A empresa publicou recentemente uma vaga para gerente de produto com experiência em construir relações de confiança com famílias. A Meta, por sua vez, testa um aplicativo de IA que conta histórias de ninar.
A OpenAI já adicionou recursos de segurança voltados a pais, mas ainda enfrenta múltiplos processos de famílias que alegam que o ChatGPT teve participação em casos de delírio e suicídio de entes queridos. A empresa afirma que está “continuamente melhorando como os modelos respondem em interações sensíveis”.
No Brasil, o uso já chega às crianças
O debate não é só americano. No Brasil, a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br | NIC.br, mostra que 65% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já usam ferramentas de IA generativa no país.
A pesquisa ouviu 2,37 mil crianças e adolescentes e o mesmo número de pais ou responsáveis entre março e setembro de 2025. Segundo o levantamento, 10% desse público já usou IA para conversar sobre emoções ou problemas pessoais.
O dado se soma a um cenário já observado entre crianças cada vez mais solitárias recorrendo a chatbots de IA em busca de companhia.
